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Uncategorized Nº 050

Designer de IA

Confesso que nunca gostei muito de produzir posts para redes sociais.

O problema quase sempre era o mesmo: o cliente não tinha fotos, não queria contratar alguém para produzir imagens e também não queria investir tempo em planejamento.

Então vinha a lista de pedidos:

  • colocar telefone;
  • WhatsApp;
  • endereço;
  • e-mail;
  • preço;
  • foto do produto;
  • foto de uma pessoa;
  • logo;
  • promoção;
  • horário;
  • e, claro, “faz chamar a atenção”.

No fim, um único post precisava funcionar como folder, anúncio, catálogo e página de vendas ao mesmo tempo.

Foi justamente isso que me fez gostar tanto de criar sites.

Na web, quanto mais informação relevante existe, melhor ela pode ser organizada. O trabalho deixa de ser esconder conteúdo e passa a ser estruturar a informação para que ela faça sentido.


O designer enxerga diferente do cliente

Hoje vejo muitos designers criticando posts/criativos como estes.

Visualmente, eles podem parecer exagerados: muito texto, muitas cores e muitos elementos disputando atenção.

Mas existe um detalhe importante.

Nós, designers, aprendemos hierarquia visual, grid, contraste, tipografia, UX e padrões de leitura. Depois que estudamos isso, fica muito mais fácil localizar uma informação em uma interface ou em um flyer.

O cliente não enxerga dessa forma.

Quem pede esse tipo de arte acredita que a pessoa vai parar o feed para ler tudo. Também acredita que, se faltar uma informação, o possível cliente pode desistir da compra.

Nem sempre isso acontece na prática, mas essa é a percepção dele.

E é justamente essa percepção que define o briefing.


A IA está aprendendo exatamente isso

O ponto que mais me chama atenção não é nem o visual desses posts.

É perceber como muitos prompts enviados à IA reproduzem exatamente esse mesmo pensamento.

Não existe uma estratégia clara.

Existe uma lista enorme de exigências.

“Coloca o telefone.”

“Coloca o WhatsApp.”

“Destaca o preço.”

“Não esquece o endereço.”

“Faz a promoção aparecer.”

“Tem que chamar atenção.”

Na prática, a IA está sendo treinada pelos mesmos briefings confusos que designers recebem há anos.


O problema nunca foi a ferramenta

Há mais de seis anos eu reclamo da mesma coisa: briefing.

Muitos clientes simplesmente não têm tempo e/ou não querem investir tempo para explicar seus objetivos.

Só que design não é decoração.

Um card tem uma função.

Um flyer tem outra.

Um banner resolve um problema diferente.

Uma landing page segue outra lógica.

Cada formato existe para cumprir um objetivo específico.

Quando isso não é entendido, qualquer ferramenta acaba produzindo resultados parecidos.


Para quem trabalha com design

Talvez essa seja a parte mais difícil de aceitar.

Assim como muitos clientes não compram um conceito de design, eles também não vão, necessariamente, pagar por um processo completo quando uma IA entrega algo que, aos olhos deles, resolve o problema.

Isso não significa que o trabalho do designer perdeu valor.

Significa que o valor mudou de lugar.

Cada vez menos ele estará em “fazer a arte”.

Cada vez mais estará em entender o problema, organizar a informação, definir estratégia e escolher a melhor solução para aquele contexto.

Porque, no fim, uma IA consegue montar um layout.

Mas ela ainda depende de alguém que saiba dizer o que realmente precisa ser comunicado.

Diagnóstico gratuito

Se esse cenário parece familiar, vale revisar a estrutura antes de aumentar o investimento.

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